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Sair da CLT para empreender: como fazer a transição com mais segurança e consciência

  • Foto do escritor: Milena Carvalho
    Milena Carvalho
  • 28 de out. de 2025
  • 7 min de leitura

É possível sair da CLT para empreender sem se sentir insegura o tempo todo. O importante é se planejar e se preparar bem para a transição.


Se você é CLT, tenho certeza que já pensou em jogar tudo pro alto, largar a carreira no mundo corporativo e se arriscar no empreendedorismo. Afinal, quantas vezes você já ouviu falar que empreender te traria liberdade para gerenciar seu tempo sem ter que se submeter a uma cultura empresarial intensa e 100% focada em resultados financeiros ou a um chefe abusivo que acha que você não tem vida além do trabalho.


Como alguém que sempre empreendeu e nunca se encaixou muito bem no mercado corporativo, posso dizer que te entendo. O empreendedorismo realmente pode trazer uma liberdade interessante e, de quebra, permitir que você se expresse no mundo de uma forma diferente da que faz dentro de outras empresas, sem tantas amarras ou regras.


Mas essa liberdade também vem com responsabilidades que nem sempre aparecem no discurso romantizado sobre empreender. É tipo aquela frase do tio Ben no Homem-Aranha: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.



Neste artigo, eu vou:

  • te contar sobre (algumas) partes boas do empreender;

  • falar sobre empreendedorismo real (algumas partes não tão boas assim);

  • te mostrar como se preparar para essa transição de forma mais segura, pra você não precisar correr de volta pra CLT se as coisas não saírem como o esperado.


A parte boa do empreender


Já pensou poder escolher o horário em que você quer trabalhar? Ou definir a linguagem que quer usar com seus clientes e construir um serviço com a sua metodologia, sem ninguém dando pitaco ou falando que sua ideia 'não é tão boa assim'?


mulher empreendedora trabalhando sorrindo no computador

Sim, essas são algumas das partes boas de empreender. Mas, pra começar, vale lembrar que 'empreender' não é igual pra todo mundo... essas partes boas (assim como os desafios) podem variar muito de acordo com o negócio e com o contexto no qual o empreendedor está inserido. Num país onde muitas pessoas empreendem por necessidade, é importante reconhecer que essas diferenças influenciam até mesmo nas possibilidades de escolha.


Sigamos com alguns exemplos práticos que demonstram a parte boa do meu dia a dia como empreendedora:


🪐 Meu dia começa às 10h e vai até 19h ou 20h, porque esse é o horário em que sou mais ativa e criativa. E sim, às vezes encaixo tarefas pessoais no meio do expediente, afinal, eu não preciso apresentar atestado pra ninguém.


🪐 Uso uma linguagem informal com clientes e parceiros, porque é assim que eu me comunico melhor.


🪐 Meus serviços foram construídos a partir do que EU acredito — fugindo da rigidez corporativa e trazendo mais foco em comportamento, emoção e contexto.


🪐 Não tem ninguém me dizendo “isso precisa ficar mais redondo, mais com a cara da empresa” (além de mim mesma 😅).


Essa liberdade é real. Mas ela só existe de forma sustentável quando a gente tem duas coisas:


  1. Estrutura física, mental e financeira pra sustentar o negócio ao longo do tempo.

  2. Responsabilidade com a escolha de empreender.


Afinal, grandes liberdades, assim como grandes poderes, vêm com grandes responsabilidades.


O empreendedorismo real: entre a liberdade e a responsabilidade empreendedora


Vamos começar falando sobre a importância de ter estrutura física, mental e financeira?


Papo reto sobre empreender: o começo de qualquer negócio é uma loucura.


Imagina o seguinte: você deixou a CLT e saiu de um trabalho onde você cuidava de uma pequena parte de uma empresa... talvez você fosse responsável pelo marketing, pelo financeiro, pelas vendas, pela operação ou até pelo atendimento ao cliente.


E nas primeiras semanas empreendendo, percebeu que a coisa era bem diferente... você não era mais responsável por uma partezinha de um negócio... você era responsável por TODAS as partes. Dá-lhe tempo e energia pra aprender MUITA coisa nova de uma vez... quer um exemplo disso em formato de devaneios? 👇🏻


"Aquela ideia de serviço é muito boa... mas sou eu quem tenho que vender... e pra vender eu preciso conhecer o serviço a fundo, ter tudo na ponta da língua... também preciso saber tudo sobre o cliente para conseguir mostrar pra ele porque o meu serviço soluciona o problema dele... e eu preciso saber ONDE o meu cliente ideal tá... e qual será que é o melhor jeito de falar com ele? será que ele gosta da forma como eu me comunico? talvez eu precise achar pessoas que se comunicam como eu, talvez elas sejam o cliente ideal... ah, e o preço, preciso definir o preço... mas como eu faço isso? preciso saber o custo do serviço... mas também tem alguns custos que são da empresa como um todo, não só do serviço... também tem o marketing... nossa, odeio marketing... networking, então, meu Deus... ferrou" (Da minha cabeça, Vozes, 2025).


E vamos supor que depois de alguns meses tentando empreender, você ainda não atingiu o faturamento que você imaginou que alcançaria de forma tão otimista lá no começo da sua jornada empreendedora.


Começa a bater um desespero, porque não tá entrando dinheiro... E aí todo aquele papo de coach, que fala que é só se esforçar e não desistir, começa a deixar de fazer sentido. E você começa a entender que existe uma diferença entre 'empreendedorismo de palco' e 'empreendedorismo real'.


Porque empreender não é só imaginar, se esforçar e por em prática... é planejar, testar e validar até que o seu negócio te traga, além da sonhada 'liberdade', segurança financeira, mental e física.

Quando você tem que aprender tudo de uma vez, com uma reserva financeira limitada, o cansaço (muito relacionado a estresse) vem. Por isso, empreender exige estrutura e ritmo, não velocidade.


mulher estressada pensando

Agora, sobre a responsabilidade quem vem com a escolha de empreender:


Quando você decide ter seu próprio negócio, não existe outra pessoa no mundo que precisa fazer ele dar certo além de você mesma. E eu não tô falando que as coisas dependem só do seu esforço, sai pra lá com esse papo meritocrático. Eu tô falando sobre a importância de assumir um compromisso com a sua empresa.


Se você tem a liberdade pra gerir seu próprio tempo e fazer suas próprias escolhas, mas não usa essa liberdade pra construir a sua empresa com capricho, aprender o que precisa ou delegar o que não gosta — talvez você não esteja empreendendo de fato, mas sim sonhando uma ideia irreal de empreender.


No meu caso, por exemplo:


🪐 Se eu tenho liberdade de fazer minha própria agenda, mas sempre priorizo só as atividades pessoais.


🪐 Se eu não me adapto a linguagem que meu cliente prefere só porque eu posso usar a linguagem que eu quiser.


🪐 Se eu construo os meus serviços pensando só no que EU acredito ser melhor, e não escuto meus clientes.


🪐 Se eu acho que sempre sei o que é melhor e acabo ignorando insights e conselhos de pessoas mais experientes.


Eu posso até ter 'liberdade'... mas eu não estaria empreendendo de verdade. Porque empreender também exige que a gente faça algumas renúncias, afinal, nós não empreendemos só por nós - também fazemos isso pelo cliente.


Liberdade sem responsabilidade é um devaneio... Pra um negócio sair da 'ideia' e se tornar realidade, você precisa construí-lo com PRESENÇA, ENTREGA e CAPRICHO. A liberdade do empreendedorismo tá relacionada com a responsabilidade de fazer aquilo que é necessário para construir uma empresa real, que oferece soluções reais para as pessoas, para a sociedade e TAMBÉM para você mesma.


Como começar a empreender com mais segurança (pra não ter que voltar correndo pra CLT)


Antes de tudo: sonhar é ÓTIMO, mas deixa pelo menos um dedinho do pé no chão!


Eu sei que quando surge a ideia de empreender, a gente fica meio eufórica, super otimista e pensando 'vai dar certo'. E eu sou a primeira pessoa que vai se animar junto com você se você quiser construir seu próprio negócio (real, pode perguntar pras minhas clientes 😂)!


Mas, como a Carol Veloso do Neuroeconomia aponta, muitas vezes a gente se apega a um viés otimista, subestimando riscos e superestimando resultados positivos. É claro, esse viés pode ter benefícios como maior resiliência em momentos desafiadores e mais motivação para perseguir nossos objetivos, mas também pode nos levar a decisões ruins e comportamentos arriscados.


A estruturação de um negócio exige um bom tempo... da ideação até a maturidade conceitual até a sustentabilidade financeira, existe um longo caminho.


Algumas ideias pra você se preparar melhor pra essa transição:


  1. Planeje-se financeiramente: tenha uma reserva financeira para que você possa planejar, testar e validar seu negócio. Se não der pra ter reserva, cogita começar a construção enquanto ainda tá na CLT. Uma ou duas horas por semana já são suficientes pra você pensar o negócio com calma, a longo prazo, sem entrar numa situação de insegurança financeira. A frustração de sair da CLT pra empreender na loucura e perceber, depois de alguns meses, que precisará voltar para o mundo corporativo pode ser maior do que aguentar um pouquinho mais enquanto constrói um negócio que tem mais chances de durar.


  2. Contrate profissionais que te ajudem na construção: MESMO SE VOCÊ TRABALHA COM CONSTRUÇÃO DE NEGÓCIOS! Falo isso por experiência própria. Às vezes, a gente acha que precisa construir tudo sozinha ou tá cansada de receber pitaco dos outros, e acaba ignorando o fato de que nós não vamos enxergar algumas coisas meio 'óbvias' que podem estar travando o nosso negócio. Normalmente, mesmo que a gente conheça as questões técnicas, algumas questões emocionais ou comportamentais (ou até de contexto) podem fazer a gente travar ou ignorar pontos que precisam ser trabalhados. Um exemplo disso você entende nesse meu post sobre planejamento financeiro.

    Vale dizer, também, que conversar com quem já empreende é FUNDAMENTAL para entender um pouco melhor a realidade do empreendedorismo e tirar esse véu romântico que alguns discursos insistem em colocar.


Por último e MAIS IMPORTANTE:


  1. Assuma um compromisso com você mesma: pegue uma folha e descreva o negócio que você quer construir. Faça isso diariamente, até que você perceba que está AGINDO para que esse negócio deixe de ser ideia e se torne realidade. O compromisso não está só no imaginar, mas nas ações que desempenhamos diariamente para a construção. No fim, empreender é um processo diário, e não uma atividade fim. Lembra disso SEMPRE!


🌙 Pra quem precisa de apoio na transição


Eu me tornei sócia de aluguel justamente para apoiar pessoas que querem empreender e se sentem sozinhas ou meio 'perdidas' no processo. Se você quer empreender, mas não sabe por onde começar a construção do seu negócio ou ainda porque sente que tem algumas 'travas' emocionais ou comportamentais que te impedem de realizar esse sonho, eu tô aqui pra te apoiar!


A gente pode construir um plano de negócio completo com o pacote 'Do CAOS ao COSMOS'.


Ou podemos ir construindo cada etapa aos poucos... começando pelo 'Essência e Estrutura', seguindo pro 'Encontre sua voz', chegando na etapa de planejamento operacional e financeiro e finalizando com um plano de ação.


Caso seu desafio seja uma trava emocional/comportamental, a gente usa o 'Mapeando os desafios' pra entender o que tem te impedido de empreender com mais tranquilidade e segurança.


A transição da CLT para o empreendedora é desafiadora. Mas ela pode ser mais fácil quando nos planejamos, nos preparamos e compreendemos como o empreendedorismo real pode trazer muito mais do que apenas uma liberdade imaginada!


Se essa ideia te move, que seja com consciência, coragem e presença. E se quiser companhia nesse caminho, eu tô aqui 💛.

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CAOS | Organizando Ideias. Criado por Milena Carvalho.

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